segunda-feira, 27 de maio de 2013

Half Of My Heart - Capítulo 14 - I'm Destroyed


Capítulo 14 - I'm Destroyed


-Stella? - Tracy tirou-me dos pensamentos.
-Sim. - ela olhava-me confusa.
-O que se passa? Estás à horas com o olhar vazio. - olhei à volta e os rapazes olhavam para mim preocupados. - Estás a sentir-te mal?
-Não. - neguei com a cabeça. - O Jared? - eles olharam uns para os outros e eu baixei a cabeça.
-Ele estava connosco. - o Ryan disse e logo depois ouvimos alguém bater à porta. Quando abriu um pouco…
-Posso entrar? 
-Nós ficamos lá fora. - Tracy deu-me um beijo na testa e todos saíram, deixando-me sozinha com o Jared.
O meu coração parecia ter parado, será que ele sabe do bebé? E se ele ficou com raiva de mim por não ter contado? Eu não quero que ele se afaste, eu não quero que ele me deixe, ele é o pouco que tenho.
-Olá. - disse baixo.
-Oi. - ele disse enquanto se sentou numa cadeirinha ao lado da minha cama. - Estás bem?
-Sim, dentro dos possíveis. - forcei um sorriso, mas da maneira que ele me conhece sabe bem que foi forçado.
-Olha eu não sei do que aconteceu para estares nessa cama, mas se foi o Bieber… eu vou dar cabo dele, vou acabar com a sua espécie. - ele falou nervoso e eu fechei os olhos encostando a cabeça atrás.
-Não precisas de ficar assim. Está tudo bem.
-Está tudo bem? - ele riu irónico. - Não, não está tudo bem. Ele fez-te a vida num inferno, se é que se chama de vida. Eu odeio ver-te a sofrer este tempo todo e não puder fazer nada, eu odeio o fato de estares nessa maca cheia de ferimentos por causa de um acidente causado por ele! - ele já gritava. - Eu odeio tudo nele, odeio pensar que a mulher que eu amo está a sofrer por um homem que não merece nada disso. - ele acabou de… ele disse que… eu ouvi mesmo… 
-Ja-Jared. - eu já tinha lágrimas a escorrer-me pelo rosto, outra vez.
-Desculpa. - ele arrependeu-se de ter falado de uma maneira tão bruta e aproximou-se passando as mãos pela minha cara limpando as lágrimas. - Eu já sei. Já sei do bebé. - ele sorriu para confortar-me. - Parabéns. - tentei sorrir e puxei-o para mim, abracei-o com a máxima força possível.
-Obrigada. - falei baixo ao ouvido dele e ele não me largou. - Mas Jared… - ele afastou-se para me olhar nos olhos. - Pensei que não fosses reagir bem a isso… afinal, o filho é do Jus… dele. -  eu tinha dificuldade a pronunciar o nome dele, era como se não saísse, como se ficasse preso na garganta.
-Para ser sincero a ideia não me agrada, mas eu fico feliz por ti e vou ajudar-te com tudo o que precisares. - ele falou sincero e eu fiquei a olhar para os seus olhos profundos. - Stella… - fechei os olhos quando ele me tocou no queixo levemente. - Eu não posso negar que o que sinto por ti é muito intenso, eu nunca senti isto por ninguém. Mas eu sei que não me pertences. - escorreu uma lágrima pelo seu rosto e isso foi doloroso para mim, limpei a lágrima dele, colocando as mãos no seu rosto acariciando e ele fechou os olhos. 
Eu tinha vontade de o fazer… eu não conseguia desviar os meus olhos dos seus lábios. Eu sentia-me fraca, a minha cabeça andava às voltas e o meu coração pulava. Isto era certo? Eu estava certa? Seria errado se eu… tarde de mais. Senti que ele abriu um pouco os olhos e se aproximou, roçando dos meus lábios. Ele finalmente colou os seus lábios nos meus, fazendo-me sentir uma sensação diferente, tocar nuns lábios diferentes era estranho, sentir o Jared tão perto era tão… diferente mas… bom?

POV Jared
Eu não acredito que fiz isto. É como se o meu coração pedisse, nem que fosse o último beijo da minha vida, eu tinha que sentir os lábios dela uma vez. Ela não me pertence, eu sei que mesmo que ela fique comigo, vai voltar para o Justin mais tarde. Eu não devia estar a beijá-la por mais que eu queira. Tenho tanto medo de magoa-la, tenho medo de estar a obrigá-la a algo. É como se o meu coração implorasse por isto e a minha mente recusasse, quase me obrigando a afastar-me. Afastei-me um pouco com falta de ar e abri os olhos ainda a vendo com os olhos fechados. 
-Desculpa. - falei baixo e ela abriu os olhos lentamente.
-Não peças desculpa. - ela permaneceu com um rosto meigo e eu afastei-me a sorrir com os lábios sem saber como reagir depois daquilo. O que ela estará a sentir? 
-Peço desculpa, mas a menina Stella precisa de ir fazer mais uns exames para que possa ter alta ainda hoje. - uma enfermeira simpática entrou na sala.
-Estou já de saída. - Aproximei-me da Stella e beijei a sua testa, indo embora logo depois.

POV Justin
Eu só queria ir para casa e esquecer tudo. Apagar aquela conversa da minha cabeça, não ter de lembrar aquelas palavras duras.

-Não Justin. Tu dizes isso mas ambos sabemos que o que tu precisas não sou eu.

-Porque insistes em querer nos juntar? Justin, não percebes que não é esse o suposto?

Eu tinha lágrimas nos meus olhos, como uma rapariga conseguiu mexer assim contigo? Eu nunca chorei tanto por ninguém antes, eu nem se quer chorei por alguém antes. O meu amor por ela é superior a tudo. Sentei-me em frente ao meu piano e toquei nas teclas aleatoriamente, cantando pequenos excertos da música que escrevi.
Dói. Tudo isto dói, e não é uma dor qualquer. Só de imaginar a minha Stella com outro, só de imagina-la com Jared… oh não, esse não fica com ela nem com o meu filho, não pode. Ouvi alguém bater à porta e parei de tocar nas teclas do meu piano.
-Bieber, abre a porta. - nem reconheci a voz. - Porra, abre a puta da porta.
-Seja quem for, deixe-me em paz. - falei rude ainda sem reconhecer a voz.
-Puta que pariu, abre a porta. - Jared? O que esse cabrão está aqui a fazer? Fui até à porta e abri bruscamente.
-O que estás aqui a fazer palhaço? 
-O que será? Quero saber o que lhe fizeste, e ouvi-lo diretamente de ti. - ele falou a achar-se todo corajoso.
-É corajoso o menino. Tá a dar uma de herói agora? - falei no gozo e ele riu.
-Sim, o papel de mau da fita já está ocupado. - já me estou a enervar.
-Baza da minha casa. - ia fechar a porta mas ele meteu o pé.
-Não sem saber o que tu fizeste.
-Eu não tenho de te dar explicações de nada, que eu saiba não sou teu namorado. 
-Qual é o teu problema? Admitir a merda que fizeste? - eu vou matar esse idiota. Dei-lhe um murro na cara e ele reagiu, indo logo para cima de mim.
Empurrou-me com força dando-me um murro na barriga e eu dei-lhe vários de seguida no seu rosto. Ele cuspiu sangue e veio na minha direção empurrando-me contra um espelho que se partiu com a força, senti as minhas costas doerem com o impacto. Desta vez ele não sai daqui vivo. Levei-o arrastado contra a parede e ele soltou um gemido de dor tentando se livrar dos meus braços.
-Brincas-te com o fogo meu caro. - falei com um sorriso e dei-lhe uma joelhada na barriga fazendo-o contorcer, ele já estava fraco e mal se mexia. Fraco.
-Não mexas mais com a vida dela. - ele quase suplicava. - Tu só estás a piorar tudo.
-Eu só não quero um gajo como tu com ela. - dei-lhe mais um murro que fez o seu nariz sangrar mais.
-Não és tu que tens de querer. Tu já não fazes mais parte da vida dela. - que descaramento é esse? Quem é ele para me dizer essas merdas?
-Cala a boca. - ele olhou para mim com um sorriso e eu estranhei ainda fazendo força sobre ele contra a parede.
-O que ganhas se me matares aqui? - ele riu. - Só vai fazer ela te odiar mais.
-Ninguém te perguntou nada. Afinal, quem veio ter comigo foste tu, sabias bem que isto iria acontecer. 
-Não me admira que ela te tenha deixado. - Ele falou vitorioso e eu fiz mais força sobre ele, fazendo ele ficar com dificuldade na sua respiração. - Nenhuma rapariga quer um homem como tu.
-Consigo ser mais homem que tu, maricas.
-Cala a boca. - ele falou raivoso já a ficar roxo sem ar, larguei-o e ele limpou a boca que tinha sangue a escorrer. - Isto não fica assim.
-Fico à tua espera. - falei com ponta de ironia e com um sorriso vitorioso e ele saiu. - "Isto não fica assim." - imitei a voz dele e soltei um riso pelo nariz indo em direção à casa de banho, pior que ele eu não estava, mas também não estava bem. Tinha a cara com alguns cortes pequenos e hematomas e as minhas costas estavam roxas com poucos cortes do espelho.

POV Stella
-Já posso voltar para casa? - perguntei farta de estar naquela cama.
-Sim, já lhe deram alta. - a enfermeira deu-me uma caixa com medicamentos. - Precisa de os tomar todos os dias antes das refeições, almoço e jantar.
-Tudo bem. - Levantei-me com dificuldade e coloquei a caixa dentro da mala.
-As melhoras, e não se esforce demasiado.
-Obrigada por me ter tratado tão bem. - sorri agradecida e saí do quarto indo até ao grupo. Lá estava a Tracy, Ryan, Chaz e Chris. A minha mãe nem deve sonhar de como tem andado a minha vida ultimamente, nem estou a pensar contar-lhe.
-Que bom, a menina vai voltar para casa. - a Tracy disse sorridente. 
-Com esta cara horrível. Já viste bem? Tenho a cara quase toda vermelha e roxa, e estes cortes… parece que vim da guerra. - todos riram. -Vamos logo, só quero ir para casa. - disse desanimada, só de lembrar de todas as coisas ruins que me têm acontecido.

Pedi à Tracy para ficar sozinha, por muito que ela insistisse eu preferi ficar sozinha, estou tão cansada. Estava a olhar-me ao espelho e não tinha apenas a cara magoada, eu também tinha marcas pelo meu corpo, pequenos cortes e manchas roxas. Credo eu estou um monstro, parece que acordei dos mortos. Deixei-me na cama a olhar para o teto, pensando em tudo. Comecei a chorar, deitar todas as lágrimas para fora. Não iria ligar para a Tracy, a única pessoa que me podia confortar agora só podia ser o Jared.
-Jared? - falei baixo quando ele atendeu após cinco toques.
-Stella. Está tudo bem? - ouvi o motor de um carro e ele só podia estar a conduzir.
-Onde estás? - fugi à pergunta.
-Eu… em lado nenhum. Eu estava a ir para casa. - a voz dele parecia ofegante.
-Podes… - respirei fundo. - Podes vir ter comigo?
-Ao hospital?
-Não, eu estou em casa.
-Mas passa-se alguma coisa? - ele falava com o tom preocupado dele.
-Eu preciso que venhas ter comigo. - falei a prender o choro.
-Eu agora… - ouvi a respiração pesada do outro lado. - Tudo bem. Até já.
Atirei com o telemóvel para o chão e fui para a sala, sentei-me no sofá e observei a porta, à espera que a campainha se ouvisse. Finalmente passados alguns minutos ele chegou, levantei-me e abri a porta, ficando em frente a ele, que estava de óculos escuros e tinha algumas marcas na cara… eram cortes?
-Está tudo be… - antes de ele falar abracei-o escondendo a minha cabeça no peito dele e ele passou os dedos pelo meu cabelo. 
-Não. - falei baixo. - Não está tudo bem e o que eu mais preciso é de ti aqui. - ele afastou-me dele e entrámos dentro de casa.
-Vai para o quarto que eu preparo-te alguma coisa para comeres. - ele sorriu fraco.
-Não precisas, eu não tenho fome. - puxei a mão dele e levei-o até ao meu quarto, sentando-me na cama com ele ao meu lado. - Tira os óculos. - eu já estou desconfiada daquilo.
-Porque? Eu gosto deles, eu sinto-me bem com… - tirei-lhe os óculos e meti a mão em frente da boca. - Dá-me os óculos. - ele falou rude.
-O que aconteceu Jared? - falei preocupada com aquilo. Digam-me que ele não lutou com o Justin.
-Nada de importante, a sério Stella está tudo bem.
-Está tudo bem? - ri-me irônica. - Olha para ti! Vou buscar qualquer coisa para curar isso. 
Saí dali disparada, mesmo com dificuldade em andar e peguei num kit com desinfectantes e essas coisas. Quando voltei para o quarto ele continuava à minha espera com um rosto triste. Meti-me à frente dele e peguei em algodão com desinfectante e passei pelo rosto dele. Ele fechou os olhos.
-Diz-me a verdade. - falei baixo.
-Não há nada que eu precise de dizer.- ele disse num tom baixo mas grosseiro ao mesmo tempo.
-Tu estives-te com ele não foi? Porque fizeste isso? Tu sabes bem que ele era capaz de te fazer bem pior. - ele abriu os olhos verdes e eu fiquei absorvida na profundidade deles.
-Ele é um idiota. - ele falou tentando controlar a raiva. - Ele devia morrer por tudo o que te fez passar. - percebi o ódio na sua voz.
-Jared sabes o quanto dói? - ele ficou sério a observar-me. -  Sabes o quanto dói ver-te assim? Isso só piora a minha situação. Já não sou só eu que estou magoada. - falei prendendo o choro na garganta.
-Eu só acho que não mereces nada do que estás a passar. Acho que aquele gajo não merece nada disso, eu não consigo controlar o meu ódio por ele, simplesmente fui à casa dele e… - silenciei-o e ele fechou os olhos como se a minha respiração a bater no rosto dele o acalma-se.
-Deixa para lá. Mas promete-me que isso não se volta a repetir. 
-Eu prometo. Promete-me que não deixas que ele te magoe de novo. - aquelas palavras foram fortes.
-Eu prometo. - ele sorriu como se isso o aliviasse.
Levantei-me e coloquei o kit na casa de banho, eu estava de calções e uma t-shirt, devia ter vestido algo mais discreto. Voltei para o quarto e o Jared olhou para o meu corpo, não sei se era das marcas, mas ele estava com uma expressão de raiva, tristeza, tudo misturado.
-Jared está tudo bem? - ele olhou para os meus olhos com piedade.
-Está, é só… essas marcas… - caminhei até à cama sem tirar os olhos de Jared. Ele estava mesmo magoado, podia-se ver pelos seus olhos. Podia-se ver o quanto lhe custava ver-me assim.
-Elas desaparecem. - abracei-o pousando o meu queixo no ombro dele, sentindo o cheiro dele misturado com o cheiro do desinfectante que lhe meti no rosto.
-Desculpa-me… - encarei-o com a sobrancelha arqueada. - Eu não devia ter ido à casa dele, eu piorei as coisas.
-Tudo bem, esquece isso. - fechei os olhos e deitei a minha cabeça no seu colo fechando os olhos. Ele passava os dedos pelos meus fios de cabelo. - Jared a minha vida é um inferno. - falei baixo e ele soltou o ar de forma pesada. - Eu só queria que tudo ficasse bem, queria que o Justin desaparece-se para sempre, não só da minha vida como da minha memória.
-Eu sei. - ele falou baixo. - Mas não é nada que o tempo não cure. A não ser que eu o mate antes. - foi impossível não soltar uma risada baixa ao ouvir aquilo. - Olha pequena, eu não suporto mais ver-te assim. Eu só te quero ver sorrir e eu não vou desistir de te meter um sorriso no rosto. - eu estava com um sorriso no rosto, que o fez sorrir também. 
Ainda me lembro dos momentos que tive assim com o Justin. Aqueles momentos em que eu sorria e ele sorria de voltar, os momentos que nunca vão desaparecer, que vão sempre assombrar a minha cabeça. Por mais que eu me tente focar no Jared, no sorriso dele, eu não consigo esquecer o do Justin. O Jared é muito para mim, sim eu amo-o, não da maneira que amo o Justin, mas amo. O Jared é aquele rapaz perfeito que todas as raparigas sonham, eu apenas o amo como um melhor amigo/irmão, já o Justin é aquele que se tem todas as razões para não o amar nem mesmo gostar, mas ama-se mais do que tudo no mundo, eu amo-o mais que tudo no mundo, E PORQUE?. Ficamos uns longos minutos ali, a olhar um para o outro e trocar algumas palavras até que eu fechei os olhos adormecendo. 
Quando abri os olhos estava sozinha na minha cama sozinha e já era tarde, olhei pela janela e estava de noite. Então eu dormi até agora? E o Jared? 
-Jared? - chamei-o olhando para a porta fechada. - Jared estás aqui? - levantei-me e abri um pouco a porta. - Boa, estás completamente sozinha Stella. - voltei para perto da cama e vi um bilhete em cima da mesa de cabeceira.

"Sabia que ias acordar tarde, pequena. Como estavas num sono profundo não quis acordar-te e como tive de vir embora deitei-te na cama. Desculpa não estar aí quando acordares, mas precisava de sair. As melhoras princesa, Jared xx"

Haviam umas palavras riscadas e não dava para perceber nada, isso deixou-me curiosa, mas talvez não fosse nada de especial. 
Eu andava pela casa com o corpo todo dorido, nem sei porque estava a andar de um lado para o outro, sinto que estou a dar em louca. A minha cabeça não aguenta isto, é muita coisa ao mesmo tempo. Atirei-me para o sofá meti as mãos na cabeça e chorei, era tudo o que eu conseguia fazer, chorar. O meu choro era tão profundo que acho que os vizinhos conseguiam ouvir os meus soluços.
-Stella? -ouvi uma voz do outro lado da porta de casa. - Stella estás em casa? - era a voz da Tracy, corri para a porta e abri. Nem lhe dei tempo para pensar, abracei-a como se já não a visse à anos e chorei. - Minha pequena o que se passa?
-Eu não aguento mais isto Tracy, eu não consigo. - eu tinha destes momentos de fraqueza, e não eram poucos.
-Princesa tu és forte, tu consegues tudo. Tens me a mim, ao Jared e aos outros meninos. - ela tentou acalmar-me.
-Mas eu preciso do Justin, é ele que eu preciso… - falei como uma criança pedindo por um bonequinho.
Ela suspirou e levou-me a sentar no sofá, eu continuava a soluçar alto e ela não sabia o que fazer.
-Stella o que eu vou dizer é para o teu bem… - fiquei receosa do que ela poderia dizer. - Eu acho que devias tomar calmantes… Só para não andares assim nervosa, nada muito forte mas o suficiente para te sentires um pouco melhor.
-O que? Eu não me vou encher de comprimidos! - falei alto. - Isso não vai ajudar. E o bebé, isso só lhe ia fazer mal! Eu não vou tomar nada. - eu até me tinha esquecido do choro, já estava praticamente aos gritos.
-Stella acalma-te, eu só quero o teu bem e há comprimidos que não afetam o bebé, feitos de propósito para a gravidez. - eu não concordo com nada disso, não vou simplesmente tomar uns comprimidos quaisquer para me acalmar! - Por favor... Experimentas e se não quiseres tomar mais eu não te obrigo. Eu só queria que ficasses mais calma porque isso sim, isso não faz bem ao bebé. - bufei e olhei para os olhos de piedade dela. - Eu vou à farmácia e trago-te uns que não sejam fortes. - ela ia-se a levantar mas eu puxei a sua mão.
-Obrigada… Por tudo. - sorri agradecida e ela sorriu de volta dando-me um beijo na testa.
-És a minha melhor amiga não és? Enquanto o fores vou sempre te ajudar. - ela saiu e eu fiquei ali sentada a pensar.
A minha situação não podia piorar, depois de tudo o que passei com o Justin, a gravidez, o acidente e agora tenho de tomar comprimidos, o que pode mais acontecer? Eu sinto que estou a morrer lentamente, já não estou a viver, estou a sobreviver. Passados uns (longos) minutos a Tracy voltou e colocou uma caixinha em cima de uma mesa.
-A senhora disse que este era o perfeito, não é forte e não afeta o bebé. Tens de tomar quando acordas e quando vais dormir. - engoli em seco. - Por falar em comprimidos, tomas-te aqueles que a enfermeira te deu? - eu já não posso ouvir falar em comprimidos, parece que quando ela fala isso eu sou uma louca que precisa de medicação.
-Para que servem? 
-É para as dores e para melhorares mais rápido. - ela sentou-se ao meu lado no sofá.
-Ah, vou toma-los então. - levantei-me e fui até à cozinha, peguei num copo com água e no comprimido e engoli. Quando ia a voltar para a sala parei na porta ouvindo ela a conversar com alguém.
-Onde estás?
(…)
-Como assim o Justin perdeu a cabeça?
(…)
-Isso é brincadeira.
(…)
-Que anormal esse, ai que merda. - ela falou irritada. - Vou desligar, tenho algo mais importante para fazer e sabes o que é? Ao contrário do Justin eu estou a ajudar a Stella que está praticamente a entrar numa depressão! Abram os olhos a esse rapaz. - ela falou alto e desligou o telemóvel olhando para mim assustada.

"Ao contrário do Justin eu estou a ajudar a Stella que está praticamente a entrar numa depressão!"

-Eu não queria dizer isso…
-Eu não estou a entrar numa depressão. - falei tentando controlar o choro.
-Stella tu estás num estado… bem, tu não estás nada bem. Isso pode agravar e o melhor a fazer é calmantes.
-Eu não aguento mais lidar com a minha vida. Eu não aguento mais viver este inferno, mas uma coisa é certa, eu não estou a entrar numa depressão. - a ideia de que todos me iam tratar como uma louca deprimida era terrível, eu estou bem, apenas não consigo lidar bem com todos estes problemas.
-Eu vou ter uma conversa muito séria com o Justin, podes crer que vou. - ela levantou-se e passou a mão pelo cabelo.
-Não. - quase gritei. - Ele não pode saber de nada disto. Ele não pode saber do estado em que estou.
-Isso é o orgulho! Stella não percebes, ele ama-te e tu amas-o, vocês apenas querem complicar as coisas. Tudo o que tu precisavas era dele, tudo o que tu queres agora é ele.
-Não. - tentei tirar aquelas palavras da minha cabeça. - O Jared pode fazer-me mais feliz e ele vai-me ajudar.
-Tu metes-te isso na cabeça para não lembrares do que realmente queres, para não teres o desejo. - o meu telemóvel tocou e quando vi que era o Jared ia a apertar a tecla mas antes decidi falar.
-É o Jared.
-Eu estou de saída, chama-o para vir contigo. - ela parecia chateada. - Se precisares de alguma coisa liga. - sorriu fraco e saiu.
-Olá. - falei assim que atendi o telemóvel.
-Princesa, tudo bem? - disse com aquela voz doce.
-Acho que sim. - falei baixo.
-Viste o bilhete que deixei?
-Sim. - sorri ao lembrar o bilhete. Ficamos algum tempo em silêncio a ouvir as nossas respirações.
-Precisas de alguma coisa? Se quiseres eu posso ir ter contigo.
-Por favor. 
-Tudo bem, estou a caminho. - ouvi o motor de um carro e sorri finalizando a chamada.
A coisa mais insuportável é ficar sozinha em casa, sem ninguém para falar. Apanhei um cabelo num rabo de cavalo longo e, como sempre, sentei-me no sofá à espera. Eu estava impaciente e nervosa, só queria que ele chegasse logo. Assim que a campainha soou eu fui até à porta e abri, vendo aquele Jared com o rosto magoado mas com um sorriso sempre bonito no rosto.
-Olá, entra. - abri mais a porta e ele entrou.
-Está tudo bem? Sentes-te com dores? - ele atropelava as palavras preocupado e eu ri-me baixo. 
-Sinto-me um pouco dorida, mas estou bem. - ele olhou para os comprimidos em cima da mesa e depois olhou para mim desconfiado.
-Isto são calmantes? - ele pegou na embalagem e eu tirei-a das suas mãos.
-Não. São para as dores. - falei rápido e ele pegou outra vez na embalagem.
-Stella tu não me enganas, andas a tomar calmantes? - ele falou num tom um pouco diferente e eu não respondi. - Eu não queria que isto…. - antes que ele acabasse eu aproximei-me dele e colei os nossos lábios, ele deixou cair a caixa com os comprimidos no chão e colocou uma mão na minha cintura e uma no meu rosto, acariciando por cima das minhas feridas.
Ele pediu para aprofundar o beijo com medo de ser rejeitado mas eu aceitei, era o que eu queria naquele momento. Levei as minhas mãos à sua nuca e massajei-a, o beijo já estava diferente, os sentimentos mudaram para desejo. Ele levou-me até ao sofá lentamente e quando dei por mim já estava deitada no sofá com ele no meio das minhas pernas.

Oláaa espero que tenham gostado, desta vez demorei mais a postar o capítulo mas agora ficou mais difícil e demora! Beijos para todas e digam se gostam!

-Rafa

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