terça-feira, 14 de maio de 2013

Half Of My Heart - Capítulo 13 - Hide and Seek


Capítulo 13 - Hide and Seek

-Começo eu. - o Ryan posicionou-se para começar a contar e todos procuraram com o olhar um sítio para se esconder. - 50, 49, 48…
Corri à procura de algum sítio mas nenhum me parecia bom o suficiente, já estava quase toda a gente escondida e eu fui rapidamente para trás de um arbusto perto da piscina. Tinha visão do Ryan mas ele não me devia conseguir ver, tive muito cuidado porque bastava bater no arbusto e aquilo fazia logo barulho. Quando ele acabou de contar andou de um lado para o outro, de vez em quando apetecia-me mudar de lugar, ficar parada no mesmo aumenta as possibilidades de se ser encontrada.
-Encontrei-te Chris. - ouvi o grito do Ryan e as risadas dele e de Chris, nem deu para perceber onde estava escondido.
Dei um passo para trás porque o Ryan aproximou-se da zona onde eu estava e fui contra alguma coisa, quando olhei para trás…
-Shh. - Justin fez-me sinal para não fazer barulho e senti o meu coração a aumentar a velocidade e o meu corpo tremia. Olhei-o com ódio sem esquecer que ele está com outra e virei-me para a frente,  eu poderia correr para outro arbusto ali perto, quando ia a levantar-me ele agarrou-me no braço e com o olhar pediu para que ficasse ali.
-O que queres? - falei baixo num sussurro quase impossível de ouvir. Ele voltou a meter o indicador nos meus lábios e eu fiquei ainda mais enervada. O Ryan passou por ali sem notar em nós e foi para a zona mais perto de casa. Levantei-me para mudar de sítio mas ele puxou-me quase me fazendo cair. - Que é que te deu? - os seus olhos olhavam para mim de uma maneira piedosa.
-Stella tu vais ter de me ouvir.
-Porque? Porque eu tenho de te ouvir? - ele ficou calado sem saber o que dizer e eu prossegui. - As tuas atitudes falam por ti, e dizem muito mais do que seja o que for que possa sair dessa boca. - ia a levantar-me e ele puxa-me com força me fazendo quase cair e observar os seus olhos já com pontada de irritação.
-Vais-me ouvir, Stella. Para de ser infantil. - ele falou grosseiro e eu fiquei mais do que enervada.
-Deixa ver… eu sou muito infantil, mas foste tu que me traíste e passado um tempo já tens outra! É ser infantil passar por isso tudo e ser quem sou hoje, sentir o que sinto? - falei quase a gritar e ele ficou sem saber o que dizer.
-Stella eu arrependo-me de tudo o que te fiz de mal. - ele falou já com arrependimento nos olhos.
-E eu arrependo-me de ter confiado em ti um dia. - já estava a arder-me os olhos, as lágrimas mais um pouco e iriam cair, mas continuava com o ódio estampado na cara. 
-Pensei que estivesses feliz com o teu novo namorado. - arqueei a sobrancelha, do que ele estava a falar? - Não fui o único que seguiu em frente, Stella, porque te fazes de vítima? - era capaz de lhe dar uma estalada ali mesmo, mas controlei.
-Justin diz-me, o teu cu não tem inveja de tanta merda que te sai pela boca? - ele pareceu chocado com o que eu disse e ficou sem palavras, nunca tinha falado dessa maneira com ela, mas… prazer, nova Stella a nascer. Os seus olhos transmitiam alguma irritação. - Eu segui em frente? Novo namorado? Vítima? - eu atropelava as palavras. - Quem é a vítima então, tu? Fui eu que te traí?
-Toda a gente erra! - ele falou alto mas com alguma tristeza nos olhos.
-Eu sei. Eu também errei ao amar-te. - o esforço para que as lágrimas parecia quase insuportável, já nem via nada bem. - Eu errei ao pensar que tu eras aquele. Errei ao pensar que nunca iria acontecer-nos isto. Errei ao pensar que nunca deixaria de haver um "nós". Errei ao ter ficado estes dias em casa a sofrer, a chorar e a pensar como estarias. Errei ao pensar que ainda houvesse um futuro para nós. Errei ao acreditar. - as lágrimas escorriam pela minha cara e o rosto de magoado dele só piorava. A minha vida é um inferno. - Espero que sejas feliz com ela. - Levantei-me sem olhar para trás e peguei na minha bolsa. Andei em direção à casa.
-Stella. - fui contra o Ryan e ele quase caiu. - Está tudo bem? - ele apercebeu-se das minhas lágrimas e a sua voz demonstrava a preocupação, eu só quero ir para casa.
-Desculpa, eu preciso de ir para casa. - falei com a voz fraca.
-Tudo bem, queres que te leve ou que chame alguém? 
-Não precisas. Está tudo bem. - tentei sorrir e lembrei-me da Tracy. - Podes avisar a Tracy que fui embora? Diz que está tudo bem e para ela ir com o Jake que eu precisava mesmo de ir embora. 
-Claro. Fica bem Stelly. - ele deu-me um abraço rápido e eu saí dali o mais rápido possível.
Entrei no carro e não via um boi à frente, os meus olhos tinham tantas lágrimas que via tudo destorcido. Eu não devia estar a conduzir neste momento, mas eu só quero ir para casa, trancar-me no meu quarto, deitar-me no meio dos meus cobertores e deixar que esse fosse o meu único refúgio. Só para piorar a situação lembrei-me que tenho um ser a crescer dentro de mim. Bati com as mãos no volante com força descarregando a minha raiva e gritei. Eu não estava controlada e já nem sabia a que velocidade estava a ir, só sei que a última coisa que vi foi um camião a vir em direção a mim a grande velocidade e tudo se apagou.

POV Justin
-Como assim deixas-te ela ir embora? - ouvi uma pequena discussão vinda de casa e saí do esconderijo. Quando me aproximo vejo o Ryan e a Tracy a falar com algumas pessoas a observar.
-Ela estava mal, que querias que eu fizesse? 
-Me chamasses! Ela não estava em condições de ir para casa. - comecei a baralhar-me e perguntei-me mentalmente se era sobre a Stella.
-Jake, empresta-me o teu carro. - a Tracy falou séria a olhar para o Jake que ficou assustado com a situação. - Jake é sério, eu preciso de saber se está tudo bem com ela. - comecei a preocupar-me e sim, só podia ser sobre a Stella. Eu sou um monstro, eu deixei-a tão mal que neste momento ela pode estar descontrolada numa estrada qualquer. 
-Ela está bem, ela sabe cuidar de si própria. - o Jake falou a tentar acalmar a Tracy.
-Tu não a conheces como eu. - ela bufou e pegou no telemóvel. - Ela não atende, deve ter desligado o telemóvel. 
-Ela está bem, para que esse drama todo Tracy?
-Ela é minha melhor amiga tá? Eu conheço-a e sei bem em que estado ela ficou, sei que ela pode estar descontrolada a conduzir.
-Eu levo-te a casa dela. - o Jake falou derrotado.
-Deus existe. Vamos. - ela puxou-o e foram embora.
-Puto, eu estou preocupado. - falei para o Ryan e ele olhou-me feio.
-Foste tu o culpado. 
-Eu sei porra, precisas mesmo de me fazer sentir pior?
-Sim, porque tu realmente mereces. Se lhe aconteceu alguma coisa, mano eu juro que te mato. - soltei uma risada irónica.
-O que, agora estás a morrer de amores por ela?
-Não, simplesmente ela é minha amiga e acho que não merece nada do que está a passar. - já estava enervado e quando vi a Rebbeca a aproximar-se de mim não estava nem com um pouco de paciência.
-Amor, está tudo bem? - ela falou metendo os braços em volta do meu pescoço e eu soltei-me dela.
-Sai daqui. - ela olhou-me indignada. - Preciso de estar sozinho, pode ser? - falei frio e ela ficou com uma cara de irritação.
-É aquela vadia não é? A… espera o nome dela é qual mesmo? Stella né. - ela falou com raiva.
-Não falas assim dela! - ela cruzou os braços.
-Tá, então acabamos por aqui. Estou farta de ouvir falar nela, estou farta de te ver sempre mal por causa dela e ainda me usares na esperança que ela ainda volte para ti.- ela saiu irritada dali e eu saí disparado daquela casa.
-Eu não te usei. - tentei mentalizar-me disso. Ela riu sarcástica.
-Claro que não, apenas me tratas tão bem quando ela está no mesmo sítio que tu. Nunca mais apareças à minha frente seu idiota. - ela saiu irritada dali e eu saí disparado daquela casa também já quase a explodir. Isto não podia estar a acontecer.

POV Tracy
-Stella abre a porta. - eu batia na porta de casa mas não obtia nenhuma resposta. Nem sei porque estava ali, nem havia carro estacionado à porta.
-Ela não está em casa, amor. 
-Onde é que ela se foi meter? - falei impaciente e o Jake agarrou-me nas mãos com calma. 
-Ela pode ter ido dar uma volta, pode querer apenas estar sozinha. - ele sorriu e deu-me um beijo demorado. A meio do beijo o meu telemóvel a tocar e quando olhei para o ecrã dizia "Stella", sorri automaticamente e atendi.
-Stella, está tudo bem? Sabes o quando eu… - fui interrompida.
-Boa noite? - uma voz diferente soou no telemóvel. - Não sou a menina Stella, eu sou a enfermeira do quarto dela.
-O que?
-Você é a Tracy, certo? 
-Eu mesma. O que se passa? A Stella está no hospital?
-Sim, ela teve um acidente e eu liguei à primeira pessoa que apareceu na lista de contatos mais recentes. - meti a mão na boca controlando as lágrimas.
-Ai meu deus, eu estou a ir já para aí. - desliguei e olhei para o Jake desesperada. - Ela está no hospital, Jake vamos rápido. - ele pareceu confuso e entrámos no carro.
-Como assim ela está no hospital?
-Ela teve um acidente. - falei nervosa já com lágrimas nos olhos. - Odeio o Justin! É tudo culpa dele, estou farta. Ele deixou-a naquele estado horrível e a vida dela tem sido uma merda, ela está grávida Jake, grávida! - falei atropelando as palavras e só depois me apercebi da porcaria que tinha acabado de dizer. Ele olhou para mim chocado e eu meti as mãos na boca.
-O que? O filho é do Justin? - confirmei com a cabeça e ele ficou parado a absorver aquilo.
-Por favor, tu não devias saber disto, não podes contar a ninguém, e se contas ao Justin estás feito. - ele confirmou e quando olhei pela janela já podia ver o hospital. - Temos de ligar ao Justin. 
-Eu ligo. - Ele parou o carro em frente ao hospital e eu saí depressa. Fui até à recepção e falei com uma senhora com aspeto simpático.
-Boa noite, eu quero saber onde está a Stella Boston.
-A menina que sofreu de um acidente, certo? - ela mexia num computador.
-Ela mesma. - estava impaciente.
-Quarto 240 no segundo piso. 

POV Justin
-Que é que foi? - falei grosso assim que atendi o telemóvel.
-Puto, vem para o hospital. - quase me engasguei.
-Não se brinca com coisas sérias Jake. 
-E porque haveria eu de ligar a dizer que a Stella está no hospital a gozar? - o meu coração ia parando, desliguei a chamada e fui desesperado para o meu carro sem se quer avisar ninguém de nada.
Conduzi sem noção da velocidade em que estava a culpar-me de tudo isto. A minha pequenina teve um acidente, ela está no hospital. Entrei feito bruto dentro do hospital e perguntei pelo quarto da Stella, dirigi-me até lá e quando ia a tocar na maçaneta da porta alguém se mete à minha frente.
-Acalma-te. - a Tracy falou me afastando do quarto e eu ri-me sarcasticamente.
-Acalmar? A Stella está ali dentro sabe-se lá em que estado.
-Ela vai fazer exames agora, não podes entrar. - eu exigia mais explicações, não era simplesmente dizer "ela vai fazer exames". - Os médicos também não me disseram nada.
Sentei-me nos bancos em frente àquela porta e fiquei a olhá-la com um olhar vazio. Sinto-me com vontade de entrar lá e abraçar a Stella e ter certezas de que está tudo bem. A Tracy lançava-me olhares de ódio, todos os dias arrependo-me de ter beijado aquela loira, todos os dias penso como seria bom se eu não tivesse feito toda aquela merda. Passado um pouco vejo Jared a aparecer no corredor, ignorei e continuei com um rosto sério a encarar o nada.
-Jared. - vi a Tracy aproximar-se dele.
-Onde ela está? É naquela sala? - notava-se que ele estava nervoso.
-É. - ele ia a avançar mas a Tracy disse-lhe o mesmo que me disse a mim. Ele sentou-se ao meu lado colocando as mãos na cabeça e depois de um tempo ele olhou-me friamente.
-Foste tu, não foste? - ele falou já num tom mais alto e eu olhei para ele grosseiro. - Tu és o culpado disto.
-Olha vê-lá como falas comigo rapazinho. - estava a controlar-me para não o espancar ali e ele riu levantando-se.
-Até porque tenho medo de um covarde como tu. - dei-lhe um murro bem certeiro no seu nariz e logo de seguida o Jake chega lá e afasta-me dele.
-Tás louco Bieber? - eu debatia-me nos seus braços.
-Louco? - soltei um riso cínico. - Esse gajo está a pedir para ser espancado até à morte.
-Até já estou a tremer. - ele falou já recuperando, embora com algum sangue a sair do nariz. 
-É bom que estejas. - o Jake soltou-me e eu passei pelo Jared batendo no ombro dele. Fui até a uma máquina de café, se aquilo iria ser uma noite longa então eu não iria aguentar sem aquilo.

POV Stella
Abri um pouco os olhos com dificuldade e ouvi ao longe vozes e médicos a movimentarem-se de um lado para o outro. Consegui abrir um pouco mais e percebi que estava numa sala de operações.
-O que se passa? - falei tonta. - onde estou?
-Menina Stella, está tudo bem. - uma enfermeira falou doce e senti o meu cérebro desligar de novo.

POV Justin
Eu estou uma pilha de nervos. Não consigo parar quieto um segundo e a minha cabeça está a mil. Por muito que eu me tentasse acalmar não dava, não só por saber que a minha Stella podia estar muito mal, mas por estar na mesma sala que o anormal do Jared. Deus me dê forças para não o matar e depois entrar na sala de operações atirando com tudo o que me aparece à frente.
-Puto, tás-me a por mais nervoso do que eu já tô. - o Ryan falou. 
-Mais nervoso do que eu não estás de certeza. - falei grosso e sentei-me pousando os cotovelos nos joelhos e metendo a cabeça no meio das mãos.
-Eu não acredito que tu foste capaz de fazer tudo isto à Stella, tu não dás mesmo valor ao que tens, quero dizer, ao que tinhas.
-Cala-te fodasse. Estou farto dessas conversas, apenas deixa-me em paz, pode ser? - falei quase aos gritos e ele levantou-se indo até à máquina de café ignorando-me.
A Tracy ligou ao Ryan e eu pensei que ele me fosse matar quando cá chegasse, mas ele apenas não me falou. Sei que se realmente aconteceu alguma coisa grave com a Stella, aí sim eu também correria perigo de vida.
-Desculpe. Você é o namorado da menina? - uma enfermeira aproximou-se assustando-me.
-Ahm… não. Eu sou… - eu não sabia o que dizer e acho que ela reparou a minha atrapalhação.
-Tudo bem. Mas é o pai certo? - não entendi, como assim sou o pai?
-O pai? - arqueei a sobrancelha.
-Sim, a senhorita está grávida. - fiquei estático.
O meu coração pareceu parar, eu sentia tudo, mas acima de tudo… felicidade. Eu sentia-me feliz, desde que a minha relação com Stella acabou eu nunca tinha sentido nada disto, nem um pouco desta felicidade que corria por todo o meu corpo. Porque ela não me contou? Porque ela escondeu isso de mim? Ela não tinha esse direito.
-E… e está tudo bem? - eu mal conseguia falar, mas tinha um sorriso discreto no meu rosto.
-Sim, por sorte não aconteceu nada de grave com nenhum dos dois. Mas o pequenino só tem pouco mais de uma semana ou duas. - senti uma lágrima cair-me pelo rosto e quando olhei para trás estavam todos estáticos menos Tracy e Jake, eles já sabiam, de certeza. - A Stella saiu da operação e está a descansar agora. Ela ficou com um corte no lábio, um debaixo do olho e outro na testa perto do cabelo. Tinha alguns vidros lá, por isso foi precisa a operação, também para dar alguns pontos.
-Eu posso ir vê-la? - falei fraco ainda a absorver tudo e ela confirmou com a cabeça. Quando ela se afastou eu virei-me para a Tracy, Jake, Ryan, Chaz e Chris, que chegaram entretanto. - Vocês sabiam, não sabiam? - perguntei dirigindo-me a Jake e Tracy, ela baixou a cabeça mas eu sorri. - Eu sinto-me a pessoa mais feliz do mundo. - Todos olharam para mim com um sorriso.
-Puto, parabéns. - Chaz falou alegre.
-Não acredito que vais ser pai, mano. - Chris falou de uma maneira engraçada.
Os outros também me disseram alguma coisa, mas nada demais, eu só queria ir vê-la. O Jared continuou parado sentado no seu banco e depois de ouvir aquilo ficou chocado a observar o nada. Apesar da minha felicidade eu continuava a sentir-me mal, a sentir-me culpado de tudo. Entrei no quarto calmamente e fechei a porta, aproximando-me da cama de Stella, que dormia como um anjo. O som da máquina com os batimentos cardíacos reinava no quarto e eu ouvia a respiração pesada dela. 
Aproximei-me da cama, ela parecia tão sensível. Afastei alguns fios de cabelo do seu rosto e observei o quanto magoado estava. Deixei cair uma lágrima, fui eu. EU deixei-a assim. Magoada não só por dentro como por fora. Como fui capaz? Ela tinha cortes profundos no rosto e também pequenos hematomas. Toquei levemente no seu rosto e ela abriu um pouco os olhos, piscou várias vezes até abri-los e pareceu com medo.
-Pensei que vos perdia. - ela continuava séria e em sofrimento, eu só queria ouvir a sua voz. Ela parecia não perceber o que eu queria dizer com o "vos" e eu como resposta olhei para a sua barriga.
-Como tu des… - a sua voz saiu baixa e rouca. Era como se estivesse chocada por eu saber, como se ela não quisesse que eu soubesse.
-A enfermeira perguntou se eu era o pai. - sorri ao lembrar o momento. Eu dava tudo para saber o que ela estava a pensar.
-Eu posso ter tido um acidente, mas eu lembro de tudo. E a dor cá dentro… - Ela pousou a mão no peito lentamente. - Ela permanece, e é mais forte que a exterior. - deixou cair uma lágrima que passou por cima dos ferimentos e aquilo quebrou o meu coração. Era como ver o mundo acabar mesmo diante os meus olhos. Baixei a cabeça ainda sentado ao lado da sua cama.
-Desculpa por tudo. - falei baixo, mas o suficiente alto para ela me ouvir. - Eu nunca consegui sentir por ninguém o que sinto por ti, não consigo. Ver-te a sofrer dessa maneira está a acabar comigo.
-Não deve ser nem perto do que eu senti quando te vi com aquela loira, quando ouvi que seguiste em frente e quando o vi com os meus próprios olhos. - aquelas palavras foram cuspidas na minha cara, eu não tenho de aguentar isto. Sei que foi errado, sei que mereço tudo de mal, mas ter de ouvir estas palavras dói demais.
-Mas porra, tu não fazes ideia de como me sinto. - levantei-me já um pouco diferente. - Eu fiz tudo de mal, eu sei que não te mereço, eu sei que sou um monstro diante os olhos de todos! Sabes o quanto custa ser olhado de maneira diferente por toda a gente?  - eu respirei fundo e ela permanecia calada e com medo. - O que eu fiz não tem retorno, eu tenho consciência disso, mas toda a gente merece uma segunda oportunidade.

POV Stella
Mas quem ele pensa que é para falar desta maneira? Já não basta ter descoberto sobre a gravidez. Agora vai ser tudo diferente, eu nem sei o que pensar, ainda por cima a minha cabeça dói e sinto pontadas quando ouço algo mais alto do que o normal.
-Segunda oportunidade? Tu não erras-te só uma vez, tu erras-te mais! Depois de me traíres, ainda ficas-te com outra vadia qualquer. - falei um pouco mais alto mesmo com a voz a falar.
-Stella, eu preciso de ti. Eu não funciono sem ti. - ele já tinha lágrimas na cara, tal como eu.
-Não Justin. Tu dizes isso mas ambos sabemos que o que tu precisas não sou eu. - eu falei baixo com medo de admitir aquilo, mas era preciso.
-Não. Tu pensas isso, tu metes-te isso na tua cabeça. - ele andava de um lado para o outro mas parou para me olhar nos olhos, eu baixei o olhar e ele aproximou-se. - Tu não sabes o quanto feliz fiquei em saber dessa coisinha dentro de ti. - ele falou meigo e soltou um riso pelo nariz. - É como se houvesse de novo razão para eu ser feliz, uma maneira de nos juntar de novo.
-Porque insistes em querer nos juntar? Justin, não percebes que não é esse o suposto? - escorreu uma lágrima pelo meu rosto. - tu vais encontrar alguém e esse alguém vai ser o certo. - fiz uma pausa respirando fundo e observei o seu rosto triste. 
-Stella Boston, eu a… - alguém bateu à porta e o Justin não pode terminar o que ia dizer.
-Podemos ir ver a nossa pequenina também? - a Tracy falou com uma voz doce, eu sorri ao ouvi-la e o Justin afastou-se, lançou-me um último olhar demorado e foi-se embora. - Tu ias me matando do coração! - ela aproximou-se e abraçou-me. - porque não me chamas-te? Porque apenas foste embora sem me avisar? Eu fui a tua casa e depois ligaram-me…
-Tracy que drama, eu estou bem. - disse a sorrir interrompendo-a.
-Nunca mais faças isso. 
Um pouco depois os meninos entraram na sala, o Ryan, o Jake e o Chris… falta alguém… o Jared?
-Miúda eu ia quase partindo a cara do Bieber. - o Ryan disse para mim e eu ri.
-Ah Stella… Parabéns! - o Chris disse e eu não percebi. - Já sabemos que estás grávida. - ele falou todo sorridente e eu sorri.
-Pois é, se for menina vai ser linda que nem a mãe, e se for menino vai ser parvo que nem o pai. - o Chaz disse e depois recebeu uma palmada no braço, dada por Chris. Eu não sabia se ria da situação ou se me sentia triste.
-Eu quero que seja uma menina. - a Tracy disse.
-Oh Tracy, eu é que sou a mãe. - fiz beicinho e rimos.
-Se for menina como se vai chamar?
-Ainda não sei, mal tive tempo de aceitar que estou grávida. - baixei a cabeça.
Sentia-me bem no meio deles todos, eles são como uma família para mim, mas está tudo a acontecer ao mesmo tempo, a traição, a gravidez, a festa, o acidente… é demais para a minha cabeça e eu estou cansada. 
Por muito que eu tentasse não pensar nele, eu continuava-me a questionar onde ele estará. Espera… ele também soube de que estou grávida. Jared...


Espero que tenham gostado, isto agora está numa fase muito má, em que tudo o que acontece é tragédia e nem eu mesma sei quando vai acabar! Espero que continuem a acompanhar, beijos.
-Rafa

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