domingo, 14 de abril de 2013

Half Of My Heart - Capítulo 05 - Words Hurt


Capítulo 05 - Words Hurt

Espero que gostem! Boa leitura.

Pensei que nos íamos beijar ali, mas acho que ambos pensámos que não era o momento certo. Às vezes parece que lemos os pensamentos um do outro e que quando um sente algo, o outro também sente. Comecei a ficar com arrepios de frio e também por estar naquela situação, isto era o que ele me fazia sentir quando eu tocava no seu corpo, era como se cada toque me arrepiasse e ficava querendo-o mais, senti-lo ainda mais. 
-Estás com frio? - ele falou baixinho e eu assenti com a cabeça. - vamos para as toalhas. 
-Está bem. - afastei-me dele e quando comecei a andar ele foi atrás e agarrou a minha mão, fazendo-me ficar com o braço esticado para trás.
Chegámos às toalhas e deitamo-nos lado a lado, fiquei com a cabeça virada para ele e ele virado para mim. Quando ele sorria eu sorria, e quando eu sorria ele sorria. Parecíamos uns tontinhos ali a olhar um para o outro, mas e depois? Ele é tão lindo, tem os olhos mais hipnotizantes que já vi.
-Ahh vou sair daqui que nem uma torrada humana. - ele riu-se e sentei-me com as pernas cruzadas (pernas-à-chinês, acho).
-Queres um gelado? Eu posso ir comprar para nós os dois. - eu sorri com a ideia e ele levantou-se a sorrir também. - queres de que?
-Morango e manga. - ele afastou-se e passados uns minutos voltou com os gelados.
-Brigada. - Aceitei e comecei a comer. - O teu é de que?
-Pêssego e banana. - sorri para ele. - queres provar?
-Simm, podes provar do meu se quiseres. - eu provei do dele, que era mesmo bom e ele também pareceu gostar do meu.

-Sim? - atendi o telemóvel sentando-me.
-Olá filha! Olha eu vim cá a casa e não estavas.
-Ah… - olhei para o Justin que continuava a comer o gelado e a olhar para mim. - pois, eu hoje vim com o Justin à praia. 
-Aih, parece que vocês gostam mesmo muito um do outro. - ela pareceu animada.
-Sim… - revirei os olhos e o Justin riu.
-É assim, eu vim cá porque eu ia convidar-te para vires jantar comigo e com o Jack. - ela falou um pouco com receio e eu fechei os olhos, pensando que aquilo podia ser mentira… o Justin olhou para mim preocupado e eu fiquei um tempo sem responder. - Stella? - voltei a não responder durante uns minutos.
-É quando? - falei calma para não começar a partir o telemóvel.
-Amanhã.
-Eu ligo mais tarde com a resposta.
-Tá bom, espero que possas vir. Beijinhos. - pareceu um pouco triste, mas para ser sincera não me afetou.
-Tchau. - desliguei logo o telemóvel, vendo que o Justin ainda estava a olhar para mim curioso.
-O que se passa?
-Era a minha mãe, quer que eu vá lá jantar amanhã… - meti as mãos na cara e pousei os cotovelos nas minhas pernas, senti ele a agarrar as minhas mãos e entrelaça-las. 
-E tu vais? - no olhar dele parecia haver uma pontada de preocupação.
-Não sei… - fiquei algum tempo a pensar naquilo. - Achas que devo?
-Depende…
-Como assim? - fiquei sem entender.
-Se achares que é melhor ir vais. Ou seja, achas que vai parecer mal se não fores? Achas que te ficas a sentir bem se não fores? - ele tinha razão, eu podia ao menos mostrar um pouco de simpatia, talvez não me sentisse mal se não fosse mas se calhar sinto-me melhor se for ao pensar que até fiz uma boa ação. - e então?
-Se calhar vou.
-Tens a certeza?
-Não. - ele riu.
-Fazemos assim, pensas nisso depois e agora vamos aproveitar o dia, pode ser? - ele animou-me logo e sorri fazendo-o sorrir.
-Vamos jogar com as raquetes! - ri-me como uma criança enquanto me levantava e ele fez o mesmo com um sorriso.
-Onde estão? - apontei para a mala e ele tirou as raquetes e uma bolinha.
Começamos a jogar e teve piada porque eu sou uma porcaria e poucas vezes conseguíamos fazer o jogo durar.
-Oh Justin, eu não consigo. - reclamei a rir.
-Claro que consegues! Vamos tentar outra vez. - ele começou e conseguimos manter o jogo durante um pouco mais de tempo.
-Tive bem?! - ele riu-se.
-Estives-te. - sorri orgulhosa e ele lançou de novo a bola.
Mais uns minutos a jogar e eu já não aguentava mais.
-Ai não aguento mais. - aproximei-me dele.
-Tás com calor? - vi segundas intenções na pergunta e percebi que mesmo que eu respondesse "sim" ou "não" ele iria querer me mandar para a água.
-Ahm… - comecei a correr atirando a bola e raquete para as toalhas, vi ele a fazer o mesmo correndo atrás de mim. Na praia não havia muita gente por isso não era tão difícil de fugir, mas a areia não ajudava a correr eu eu já estava com dores nas pernas. - JUSTIN NÃO! EU TOU A MORRER. - ri-me enquanto corria, aliás, eu já estava a rir desde o início. Fiz ele rir e parei virando-me para trás fazendo-nos cair juntos na areia, ele por cima de mim, eu não conseguia parar de rir e ele estava com um sorriso na cara. 
-Anda princesa, vamos a um banho. - levantou-se e pegou-me ao colo correndo até à água enquanto eu debatia e gritava, já nem sabia se gritava ou ria. 
Agarrei-me com força a ele como se isso fosse o impedir de me mandar à água ou me fosse proteger. Quando caímos dentro de água quis-me vingar dele então comecei a mandar-lhe água sem parar, ele fez o mesmo mas depois mergulhou para baixo de água, fazendo-me assustar. Só depois me apercebi que ele estava debaixo das minhas pernas e fiquei sentada nos ombros dele.
-Oh meu deus, JUSTIN! - ri-me e ele começou a rir.
-Ganhei. - fez cara de vitorioso.
-Parvo! - comecei a rir e a dar-lhe pequenas palmadinhas na cabeça. - Não vale! - ele riu e mergulhou para baixou para eu poder voltar a meter os pés na areia.
Ele tentou fugir de mim porque sabia que eu iria querer me vingar de novo, mas não conseguiu porque e saltei para cima dele dentro de água e caímos juntos.
-Estou cansada. - rimos.
-Não parece. - piscou-me o olho e ainda lhe mandei mais água para cima fazendo-o rir.

No caminho para casa fomos a conversar e rir, cantávamos as músicas que começavam a dar que nem loucos.
-Sempre vais ao jantar? - fiquei séria.
-Acho que sim. Ela não deixa de ser minha mãe, tenho de fazer um esforço. - eu sorri fraco e ele sorriu de volta.
-Vais ver que vai correr bem. - meteu a sua mão por cima da minha, que estava em cima da minha perna e eu sorri.
-Espero que sim. - chegámos e ele parou o carro.
-Bem, tchau Justin. Brigada por hoje. 
-Não percebo porque ainda agradeces. - ri-me e ele puxou-me para me dar um beijo na cabeça. - até depois, boa sorte para amanhã.
-Bem preciso. - ri-me saí do carro caminhando até casa.
Mais tarde liguei à minha mãe e ela ficou toda animada. Teria de estar lá às 8h. 

Acordei de manhã já desanimada de pensar no jantar. Levantei-me sem vontade e vesti uma roupa desportiva qualquer confortável e fui à casa de banho fazer a minha higiene. O meu cabelo estava liso e bonito hoje (milagre) por isso deixei-o ficar solto. Peguei no meu telemóvel e fui para a cozinha preparar cereais, mas tarde reparei que tinha uma mensagem do Justin.
"Bom dia, pequena. Hoje vou estar ocupado por causa duma cena da universidade por isso não sei se te consigo ligar antes do teu jantar, mas vou tentar! Por isso boa sorte, caso eu não ligue. Beijo <3"
Aquele coração no final faz sempre o meu coração bater mais rápido, simplesmente faz. Respondi com isto:
"Bom dia, príncipe. Obrigada, vou tentar que corra tudo bem. Beijinho bebé <3"
Acabei de comer e atirei-me para o sofá onde batia a luz do sol, a pensar no que podia fazer hoje. Provavelmente nada, talvez fosse à piscina relaxar e depois tomava um banho para me despachar para o jantar.

Estava sentada na beira da piscina a brincar com a água e envolvida nos meus pensamentos, o fresco da água sabia bem nas minhas pernas e o sol acalmava-me. Estava com uns óculos e um bikini já um pouco antigo, já que não estava ali ninguém. Comecei a pensar naquilo que sentia pelo Justin, aquilo que nunca senti por ninguém. É estranho como parece que nos completamos, estranho como me sinto tão segura perto dele, os nervos que sinto e a vontade que tenho de o beijar e de estar com ele dia e noite. E no meio de tantos pensamentos o meu telemóvel, que estava perto de mim, começou a tocar.
-Estou?
-Oi amigaa! - ouvi a voz de Tracy e animei-me.
-Olá! Tudo bem? 
-Claro, e contigo?
-Sim. Um pouco nervosa. - admiti. 
-Então, porque?
-À noite vou jantar com a minha mãe e com o Jack, ia contar-te depois. - falei um pouco mais baixo do que o esperado.
-A sério? - ela ficou em silêncio durante uns minutos. - Ela convidou-te?
-Sim… eu aceitei. Tava com o Justin na praia.
-Conta tudo! - ri-me.
-Nós fomos à praia, não foi nada de especial. - ela riu-se.
-Pronto, não contes! - falou brincalhona. - Mas bem, boa sorte para mais tarde. Não fiques nervosa, não vale a pena.
-Obrigada. - ficamos em silêncio durante uns segundos. - ias ligar por alguma coisa específica?
-Por acaso não, nós já não falávamos à muito tempo!
-Pois é. - rimos. -  OLHA! Lembrei-me agora, e o Jake? - fiquei curiosa por saber o que aconteceu depois de eu abandonar a festa com o Justin.
-Pois é! Ele levou-me a casa porque o Justin te levou. Nós beijámo-nos… - ri-me.
-Não me digas que vocês fizeram aquilo que eu penso que vocês fizeram?! - ela riu.
-Não, mas ficamos juntos a noite toda e o dia seguinte todo… acho que estou a começar a gostar mesmo dele.
-Que lindo, aposto que vocês ainda vão namorar. - rimos as duas e vi que alguém me estava a ligar, era o Justin. - Tracy o Justin está a ligar. 
-Tudo bem, boa sorte para logo à noite, coisa boa. - ri-me. 
-Beijinhos, obrigada. - desliguei e atendi o telefonema do Justin já me sentindo nervosa, como sempre. - Olá Justin.
-Olá Stelly. - sorri automaticamente. - Nervosa pelo jantar?
-Um bocadinho… - ficamos em silêncio e pude ouvir a respiração dele do outro lado. - acho que daqui a um bocadinho vou preparar-me. Estás a fazer o que?
-Ainda estou aqui na universidade, vou chegar a casa tarde hoje. - já me estava a acalmar, afinal, conversar com ele acalmava-me sempre, mas sobravam sempre aqueles nervos estúpidos por estar a falar com ele. - Tenho de ir. Boa sorte pequena. - ri-me baixinho. 
-Obrigada. Até depois, beijinhos. 

Já estava despachada para ir e eram cerca de 7:32pm. Peguei na minha mala com o telemóvel, carteira e algumas coisinhas úteis e fui até à casa da minha mãe de autocarro, mal podia esperar por tirar a carta, poderia-me ver livre de autocarros para sempre. Cheguei a casa da minha mãe e de Jack e observei bem a grandeza daquilo, tinha um jardim enorme com lago, era lindo. Aproximei-me da porta e toquei à campainha com os nervos no corpo.
-Olá minha querida. - ela sorriu e abraçou-me.
-Olá mãe. - sorri de volta e apareceu o Jack para me cumprimentar também.
-Olá Stella, ainda bem que vieste. - cumprimentou-me com dois beijos na cara e eu sorri agradecendo.
-Entra, podes ficar um bocadinho na sala, o jantar está quase pronto. - entrei e eles conduziram-me à sala, fiquei a ver televisão sem prestar qualquer atenção ao que estava a dar.
A casa era extremamente grande e com mobiliário de luxo, o meu primeiro pensamento foi que ele era rico e ela provavelmente só casou com ele porque é uma interesseira. Relaxei o suficiente tentando pensar em outras coisas e passado uns minutos o jantar estava pronto. Sentei-me à mesa e fiquei em frente à minha mãe, ao nosso lado estava o Jack, na ponta da mesa que era incrivelmente gigante.
-Espero que gostem. Arroz de pato, como sempre gostas-te, Stella. - sorri e comecei a comer, estava delicioso, isso não posso negar.

O ambiente nem estava mau, conversamos e fomos comendo, a minha mãe e o Jack estavam a beber vinho e reparei que com o tempo estavam a ficar alterados, eu estava a beber água. O meu apetite não era muito, mas a comida era boa. Não tenho nada contra Jack, ele não tem a culpa e é um homem simpático, mas a questão de a minha mãe ocupar o lugar do meu pai com ele, já é algo que altera muito. A minha mãe já estava a começar a dizer conversas um pouco desconfortáveis mas deixei que assim fosse, manti a minha pose. 
-Stella, eu lamento imenso pelo seu pai. - Jack encarou-me sério e o meu estômago parecia contorcer-se e o meu coração apertar. 
-Oh, passado é passado, não é verdade? - a minha mãe falou a sorrir com aquela cara nojenta, eu estava prestes a desabar ali e começar a chorar, mas manti-me séria. - afinal o acidente foi o ano passado e nós já ultrapassamos isso. - ok. Por mim acaba aqui.
-Fico feliz saber que já ultrapassas-te a morte do teu antigo marido. Passado pode ser passado, mas ele é meu pai e não falas assim à minha frente sobre ele. Ele foi melhor que tu umas milhares de vezes, desde que ele morreu a minha vida é um inferno. Não, eu não ultrapassei, nem vou ultrapassar, porque ele foi a pessoa que mais amei, ao contrário de ti, sempre foste a pessoa que mais ÓDEEI, tratas-me como se fosse lixo, simplesmente como se eu nem fosse tua filha, e sabes que mais? Nem quero ser tua filha, isso para mim é uma vergonha, ter uma mãe como tu. - levantei-me já com as lágrimas as escorrer pelo meu rosto, estava vermelha e sem me aperceber nas últimas frases estava praticamente a gritar.

A cara dela parecia assustada e surpreendida, nunca tinha tido coragem de lhe mandar tudo à cara, mas ela não pode falar assim do meu pai à minha frente, ela tem de me respeitar. Estava de cabeça quente, não me responsabilizava pelas minhas atitudes nem pelo que dizia, sei que posso ter exagerado no que disse, mas não consegui controlar, ela merecia ouvir aquilo. Só não quero ver mais aquela mulher à minha frente, quero que ela suma da minha vida.
-Com licença. - ela ainda me olhava magoada, mas ignorei, como ela me tem feito estes anos todos. Saí e abri a porta da entrada, fechando com força indo até casa com lágrimas nos olhos, andei a passo apressado e quando finalmente cheguei atirei-me para o meu sofá, a chorar sem fim. 
A dor dentro de mim era horrível, parecia que tinha sentido novamente o que senti quando o meu pai morreu. Eu sentia vontade de nunca mais sair de casa, queria ter ali o meu pai. Um pouco mais tarde ouvi alguém a tocar à campainha, assustei-me e fiquei a olhar para a porta a pensar que podia ser a minha mãe, quer dizer, era impossível ser. Levantei-me a abri a porta, vendo o Justin à minha frente, eu estava com os olhos inchados, vermelhos e com a maquilhagem toda borrada, estava com os lábios secos e ainda sem respirar direito.
-STELLA. - ele ficou com o rosto preocupado e eu rapidamente o abracei, agradecendo mentalmente por ele ter aparecido naquele momento (aconteceu isto: http://24.media.tumblr.com/tumblr_memrz81T3E1qmr0vho1_500.gif). - Não, não, não. Não chores por favor princesa. - ainda não tinha conseguido parar, mas sentia-me mil vezes melhor nos braços dele a rodearem-me.
-Justin… - tentei respirar fundo. - isto dói tanto. - ainda estava a tentar recuperar a respiração. Senti uma lágrima cair em cima da minha cabeça e olhei para ele ainda com o rosto todo molhado.
-Vamos, vais lavar essa cara. - passou as mãos pela minha cara mas não valia de nada porque ainda desciam mais lágrimas silenciosas.
Fomos em direção ao meu quarto e à minha casa de banho, lavei a cara e peguei uma toalha seca para me secar. Voltei para o quarto e o Justin estava lá sentado à minha espera, fui para ao pé dele e sentei-me no meio das pernas dele metendo os meus braços na sua cintura e posando a cabeça na curva do pescoço dele.
-Odeio a minha mãe. - falei com a voz fraca e o Justin virou-me frente a ele. - ela e o Jack ficaram bêbedos e começaram a falar sobre o meu pai, e a minha mãe… - começaram a cair lágrimas outra vez.
-Shhhh, não chores pequena, eu não consigo ver-te chorar. - posei outra vez a cabeça no seu peito. Estar ali agarrada a ele reconfortava-me.

POV Justin

Vê-la a chorar assim era tortura para mim, ninguém sabe como me sinto a vê-a naquele estado, é como se o meu coração de despedaçasse todo. Tinha vontade de lhe dizer o quando eu a amo, que vou estar ali para sempre. Quando penso que ela já está a ficar calma ela volta a chorar e eu fico com uma vontade terrível de o fazer também, mas eu não vou fazer isso, eu tenho de sorrir para a fazer sorrir e esquecer aquilo. 
Podia não ser o momento, ou se calhar até era, eu sentia dentro de mim que eu devia admiti-lo…

Espero que tenham gostado deste capítulo, e que continuem a acompanhar. Comentem para eu saber se alguém está a ler pelo menos, nem que sejam criticas más, eu só queria opiniões. Como às vezes penso que estou a escrever para ninguém (sem ser para as minhas amigas) não sei se escrevo bem ou mal, por isso gostava de opiniões de fora :) beijos e vou tentar meter mais um brevemente.

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